Sancionada a Lei 16.390/2025 que ajusta Plano de Carreira

Foto: Fernando Gomes/ALRS

Foi sancionada a Lei 16.390/2025, que ajusta o Plano de Carreira, Cargos e Salários do Judiciário do Rio Grande do Sul (PCCS). A norma, aprovada pela Assembleia Legislativa em outubro por 46 votos a 1, foi promulgada em 27 de novembro e publicada nesta sexta-feira, 28, no Diário Oficial do Estado. 

A lei altera pontos da legislação de 2021 que unificou os quadros de pessoal do Judiciário. Também foram sancionadas outras duas propostas de interesse da categoria e de iniciativa da Justiça gaúcha: a Lei 16.391/2025, que reorganiza comarcas e cria novas estruturas, e a Lei 16.392/2025, que institui 30 cargos de desembargador e extingue 45 cargos de juiz substituto.

O presidente da Associação dos Servidores da Justiça, Paulo Olympio, afirma que a revisão corrige falhas identificadas desde a implantação do PCCS. "Foi um ano de muita discussão nos Grupos de Trabalho para chegarmos a esta equalização. Seguirmos trabalhando por novos aprimoramentos", diz, ao destacar avanços na avaliação de desempenho, nas regras de progressão e movimentação funcional e na reorganização de gratificações.  

LEI Nº 16.390, DE 27 DE NOVEMBRO DE 2025 - acesse: https://www.diariooficial.rs.gov.br/materia?id=1351751

 

 


Crédito: Nataly Porto

Para ASJ, histórico de Eduardo Uhlein inspira tranquilidade no trabalho que será realizado



“Pela retrospectiva histórica, temos tranquilidade quanto ao trabalho que deverá ser desenvolvido”, afirmou o presidente da Associação dos Servidores da Justiça, Paulo Olympio, ao final da votação do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, que elegeu na tarde desta segunda-feira (24/11) o desembargador Eduardo Uhlein para o biênio 2026/2027.

Acompanhando o encerramento do pleito na sede da instituição em Porto Alegre, Olympio lembrou a atuação do magistrado junto aos servidores quando ele esteve à frente do grupo de trabalho responsável pelo Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS). “Foi uma conquista histórica, após 40 anos de articulação, deste instrumento que hoje orienta a vida funcional de servidores e servidoras”, disse.
O compromisso com a formação de quem atua na Justiça foi reforçado por Olympio como uma das diretrizes que devem ser cobradas pela ASJ da nova gestão. Em entrevista exclusiva realizada pela ASJ, Uhlein garantiu que vai estabelecer uma administração que ouça e dialogue com todos. “Temos a convicção de que um Judiciário mais forte só se alcança com mais escuta e participação de magistrados e servidores”, disse.
A votação foi decidida pela antiguidade. Uhlein, que tem 38 anos de magistratura, recebeu 80 votos dos 161 desembargadores, empatando com o desembargador Antonio Vinicius Amaro da Silveira. Houve um voto em branco. Com o novo presidente, assumem em 3 de fevereiro de 2026 Cláudio Luís Martinewski como 1º vice, a desembargadora Rosane Wanner da Silva Bordasch na 2ª vice e a desembargadora Ana Paula Dalbosco como 3ª vice. O desembargador Ricardo Pippi Schmidt foi eleito corregedor-geral da Justiça.

Foto: Gisele Ortolan 

TJ elege nova Administração para o próximo biênio



O Tribunal de Justiça elegeu na tarde desta segunda-feira (24/11) a nova administração para o biênio 2026/2027. O Desembargador  Eduardo Uhlein  foi eleito Presidente, tendo o Desembargador Cláudio Luís Martinewski como 1º Vice, a Desembargadora Rosane Wanner da Silva Bordasch na 2ª Vice e a Desembargadora  Ana Paula Dalbosco como 3ª Vice. O Desembargador Ricardo Pippi Schmidt foi eleito  Corregedor-Geral da Justiça.

O processo eleitoral ocorreu através de sistema de votação virtual desenvolvida pela DITIC do Tribunal de Justiça. 161  Desembargadores votaram. O Desembargador Uhlein e o Desembargador Antonio Vinicius Amaro da Silveira empataram com 80 votos, além de 1  voto em branco. O Desembargador Uhlein, em virtude da antiguidade, foi eleito novo Presidente.  A posse da nova Administração ocorrerá no dia 3 de fevereiro de 2026.

"Nossa prioridade será a união dos Desembargadores e Desembargadoras acerca de  iniciativas importantes, conversando com todos e todas, buscando a unificação do Tribunal. Temos projetos muito bons que estão em andamento e terão continuidade. Esperamos que, a partir de agora, com o resultado da eleição, possamos trazer todos a uma direção de união e construção coletiva", afirmou o novo Presidente do TJRS, Desembargador Uhlein, durante entrevista concedida à imprensa logo após o término da apuração.

 

O Presidente do Tribunal de Justiça,  Desembargador Alberto Delgado Neto, disse que a eleição transcorreu dentro da normalidade, com duas chapas compostas por colegas extremamente qualificados. O magistrado desejou amplo sucesso ao vencedor do pleito.

Currículos

Eduardo Uhlein

Com mais de 38 anos de magistratura, o Desembargador Eduardo Uhlein atuou em diversas comarcas e assumiu como membro do Tribunal de Justiça em agosto de 2009 e está há 14 anos na 4ª Câmara Cível do TJRS. Foi Juiz-Corregedor e Juiz-Assessor da Presidência. Presidiu a comissão que criou o Plano de Carreira dos servidores e foi três vezes eleito para o Órgão Especial do Tribunal de Justiça. Na vida associativa, atuou na Diretoria de Assuntos Previdenciários da AJuris. Na Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), atuou na Secretaria de Previdência  e presidiu, em 2015, a Comissão Nacional de Estudos para o Novo Estatuto da Magistratura.  Também foi professor universitário de Direito e palestrante na Escola Superior de Magistratura da Ajuris.

 

Cláudio Luís Martinewski

Desembargador com mais de 35 anos de magistratura. Atuou em comarcas do interior à capital. Pós-graduado em Direito Tributário e Administração do Judiciário. Com forte atuação institucional, foi Juiz-Corregedor, Presidente da Central de Conciliação dos Precatórios, Diretor do Foro da Capital, entre outros. Foi Presidente da AJURIS, no biênio 2022/2023, e atualmente é  Vice-Presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB). 

 

Rosane Wanner da Silva Bordasch

Ingressou na magistratura em 1987, jurisdicionando as Comarcas de Sarandi, Canoas, Guaíba e Porto Alegre. Mestre em Administração Judiciária pela FGV Direito-Rio, possui especialização em Engenharia da Qualidade pela PUC-RS, Gestão em Serviços pela Unisinos e Gerenciamento de Processos pela FGV Direito-Rio. Foi a primeira Secretária-Executiva do Plano de Gestão pela Qualidade do Judiciário, época em o Tribunal de Justiça obteve medalha de bronze no Programa Gaúcho da Qualidade e Produtividade. Integrou o CORAD e foi Juíza-Corregedora. Entre 2007 e 2017, esteve à frente de projetos de gestão de ações de massa para melhoria da resposta frente a demandas repetitivas. Está no TJ desde 2021, onde integrou a 3ª Câmara Criminal e, atualmente, pertence à 1ª Câmara Especial Criminal. Foi eleita para o Órgão Especial para o biênio em curso.

 

Ana Paula Dalbosco

Com uma trajetória que une solidez acadêmica, experiência prática e visão de gestão, Ana Paula Dalbosco ingressou na magistratura em 2014, pelo Quinto Constitucional, após 19 anos na advocacia cível. É formada em Direito pela UFSM, com MBA em Gestão Empresarial pela FGV, MBA Internacional em Lisboa e especializações em Direito Empresarial e Ambiental. No TJRS, integrou o Órgão Especial no biênio 2016/2017 e a Comissão de Biblioteca e Jurisprudência.

 

Ricardo Pippi Schmidt

Com 40 anos de magistratura, Ricardo atuou em várias comarcas do Estado e é Desembargador do TJRS desde 2017. Mestre em Poder Judiciário pela FGV-Rio, foi professor e ex-Diretor da Escola da Magistratura da AJURIS. Juiz-Corregedor nos períodos de 2004/2006 e 2014/2016, presidiu a Comissão de Inovação (Inovajus) e idealizou e implantou o Laboratório de Inovação (Labee9). Especialista em gestão, participou, nacionalmente, de Grupos de Trabalho nas áreas de processo civil, inovação e modernização do Judiciário. 

 

 

Comissão discute alternativas para melhorar atendimento do IPE Saúde aos servidores estaduais

Nesta quinta-feira (13), a Comissão de Segurança, Serviços Públicos e Modernização do Estado promoveu audiência pública, em formato híbrido, para discutir alternativas para melhorar o atendimento à saúde dos servidores públicos estaduais em relação ao IPE Saúde. A proposição e a condução do debate, que contou com representações de várias entidades sindicais, foram do deputado Halley Lino (PT).

 

O parlamentar lembrou que, a partir de 2023, com a reforma realizada pelo governo do Estado, houve uma alteração no sistema do IPE Saúde. "Esta alteração resultou na diminuição 117.981 usuários e 1080 médicos", afirmou. Lino citou ainda a quebra da paridade e o aumento da contribuição de acordo com a idade do usuário advindos com a nova legislação. "Fora estas questões, registro também as dezenas de manifestações que recebo em relação a grande dificuldade que tem sido marcar com os médicos, obter uma consulta com especialista, obter acesso ao sistema do IPE", acrescentou, lamentando a ausência da autarquia ou de representantes do Executivo no debate, apesar de terem sido convidados.

 

Lino ainda informou que, em 2024, a bancada do PT apresentou representação no Ministério Público de Contas, pedindo investigação de contas do IPE, obtendo parecer favorável. A representação foi então enviada para relatoria do conselheiro do TCE Iradir Pietroski. Conforme o deputado, as manifestações na audiência pública serão encaminhadas ao conselheiro para subscrever a necessidade de investigação no IPE. Outro encaminhamento será o agendamento de uma reunião com a nova direção do IPE Saúde, quando também serão apresentadas as questões discutidas na audiência.

 

Manifestações

O diretor-presidente do Sindicato dos Servidores da Procuradoria-Geral do Estado e diretor da Federação Sindical dos Servidores Públicos no Estado do RS (Fessergs), Daniel Franco Martins, disse, com base no relatório anual do IPE Saúde em 2024, que, a partir da reforma, a situação só piorou, com redução do número de segurados e médicos credenciados e quebra da paridade. "Fica nítido que não funcionou aquilo que foi proposto pelo governo Eduardo Leite", avaliou. Ele ainda parabenizou a bancada do PT pela iniciativa junto aos órgãos de controle e elencou questões a serem cobradas da direção do IPE Saúde, como o desequilíbrio entre a participação dos servidores segurados que contribuem com quase o dobro do governo, a quebra da solidariedade, o fim da paridade e, principalmente, o recredenciamento de médicos e prestadores de serviço.

 

A secretária-geral do Sindicato da Polícia Penal do RS (Sindppen), Janice Willrich, lembrou que o IPE Saúde foi fundado em 1966 com o objetivo de garantir assistência à saúde aos servidores, seus dependentes e pensionistas promovendo a qualidade de vida. "Ele não é um plano de saúde que visa ao lucro e sim a saúde dos seus servidores", defendeu. Ela também exibiu vídeo e áudio de um policial penal, cuja filha de 11 meses faleceu em maio deste ano por problemas em atendimento em saúde. "O IPE cobra como um plano de saúde, mas não tem um hospital nem estrutura como outros planos para estar cobrando do jeito que está cobrando", disse.

 

A diretora do Cpers/Sindicato, Vera Maria Lessês, lembrou que, no governo Tarso Genro, quando os servidores contribuíam com 3,6% do salário para o IPE Saúde dos titulares e dependentes, o IPE era superavitário e atendia mais 1 milhão de pessoas e, mesmo com a queda da contribuição para 3,1%, o IPE conseguia se manter. Acrescentou que, diferente dos últimos governos, naquela época os servidores recebiam reposição salarial acima da inflação. "E a gente sabe que a arrecadação do IPE Saúde é diretamente proporcional ao crescimentos dos nossos salários. Então, parte da crise que o IPE enfrenta é porque, depois disso, nós tivemos governadores que passaram por este Estado e sequer deram a inflação do seus governos como reposição salarial", afirmou. Ainda falou das reformas do IPE realizadas nos governos Sartori e Leite. E comparou o atendimento na região metropolitana e no interior, avaliando que a falta de médicos e de prestadores de serviços credenciados em todas as especialidades é muito maior nos municípios do interior.

 

A coordenadora-geral do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras em Educação da cidade do Rio Grande (Sinterg), Suzi Barros, falou sobre a adesão de sua entidade ao IPE Saúde em 2005. "O IPE era algo que todos os municípios queriam ter, pois não tinham condições ainda, pelo número, de ter o seu regime próprio de saúde. Então, eles queriam aderir ao IPE e concordavam em pagar a contrapartida da última categoria pela qualidade e o atendimento que era oferecido", lembrou. Atualmente, segundo ela, o IPE Saúde passa por um desmonte pelo governo Eduardo Leite que não faz concursos e, portanto, não há entrada de novos servidores nos quadros públicos que possam aderir ao IPE.

 

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores dos Serviços Portuários de Rio Grande, Rui Eduardo Mendes, avaliou que a crise do IPE Saúde não é falta de competência do atual governo, mas sim de um projeto bem arquitetado para o desmonte das estruturas de Estado. "E o resultado está aí, não só no IPE Saúde, mas também na Corsan e na CEEE, que foram entregues à iniciativa privada", declarou. Ele ainda falou sobre a defasagem salarial dos servidores públicos a partir do governo Sartori. Também defendeu a ampliação do credenciamento de médicos e prestadores de serviços do IPE Saúde, a agilização nas internações hospitalares, a regionalização das perícias e a ampliação da cobertura de procedimentos e materiais.

 

Representando o Ministério Público e integrante do Conselho de Administração do IPE Saúde pelo órgão, André Leite avaliou que o enfrentamento à situação enfrentada pela autarquia vem sendo feito. Registrou que os dois últimos presidentes do IPE Saúde fizeram um trabalho responsável. "O diagnóstico está dado. A crise vem do arrocho salarial a que vem sido submetido os servidores públicos e também da própria inflação dos custos médicos", avaliou. Falou sobre a última reforma realizada e que o servidor foi chamado a contribuir e está contribuindo. "O que se espera é que na outra parte da equação também o serviço evolua", destacou.

 

O presidente da Associação dos Servidores da Justiça do RS, Paulo Olympio, analisou a trajetória da autarquia nas últimas décadas e também falou de sua experiência dentro do Conselho de Administração do IPE Saúde, acompanhando o trabalho interno da autarquia. "Estamos com recredenciamento de médicos, por exemplo, que é uma necessidade. Isso era para ter tido já um começo em abril, são seis meses da portaria que foi criado esse programa, ficou para julho, depois para outubro, depois para dezembro e o programa não anda e agora até acho que vai ficar para março com essa troca de administração", contou.

 

O presidente do Sindicado dos Servidores do IPE, Ivan Barreto, lembrou que, em 2023, quando houve a reestruturação do IPE, a Praça da Matriz estava lotada de servidores públicos de todos os segmentos. "E a Casa do Povo foi fechada. Nós não tivemos a oportunidade de acompanhar a votação dos deputados sobre o que é nosso, o que é patrimônio dos servidores públicos, o IPE Saúde", recordou, acrescentando que, como o Legislativo deu aval para o governador poder aumentar as alíquotas através de decreto, isso pode ocorrer novamente. Também falou da falta de aumento salarial dos servidores. "A questão do IPE é uma questão de gestão", resumiu, tecendo críticas ao governo Leite.

 

Também se manifestaram Iolanda Rafaeli, o contador Ricardo Muzzi, o advogado Artemio Poltozi, tenente Pierre; o representante da Associação Agenda Brigada Unida, Lauro Pedot; e os vereadores Professor Maurício, de Santa Vitória do Palmar, e Professora Denise Marques, do Rio Grande.

 

Fotos: Lucas Kloss / ALRS

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