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CARTA
ABERTA AO PRESIDENTE LULA SOBRE A
REFORMA DA PREVIDÊNCIA É
falsa a suposição de que a Previdência Social seja “deficitária”,
assim como é enganosa a “solução” de decepar direitos dos
servidores públicos. Isso apenas oculta
as verdadeiras causas das dificuldades da Previdência. 1
– Causas Econômicas
– Vinte anos de estagnação econômica e uma automoção produtiva
socialmente irresponsável expulsam milhões de trabalhadores do mercado
de trabalho – inclusive quase um milhão de servidores públicos
demitidos para dar forma ao Estado “mínimo” neoliberal. Isso reduziu
a quantidade de contribuintes e o montante das contribuições. Não haverá
solução duradoura para a Previdência sem retomada do crescimento econômico,
com a abertura de milhões de novos postos de trabalho e consequente
aumento da arrecadação. 2
– Causas Políticas
– Valores enormes foram desviados do caixa da
Previdência para inumeráveis obras dos governos federal e estaduais e
para pagamento de juros da dívida externa – e jamais foram devolvidos. 3
– Causas Criminais –
Para cada real arrecadado, quase outro real é sonegado – sob complacência
governamental. Além disso, o Estado não se aparelha para cobrar de modo
eficiente bilhões de reais apropriados por empresários que retêm as
contribuições previdenciárias de seus empregados. E ainda está por ser
feito um levantamento idôneo das fraudes brutais que lesam a Previdência.
A tolerância com tudo isso faz soar imoral a idéia de decepar direitos
ou expectativas de direitos dos servidores. 4
– Equívocos –
Tenta-se confundir Previdência e Seguridade. A Seguridade Social
compreende as garantias de saúde, assistência social e previdência
(pensões e aposentadorias). Mas só a Previdência gera receitas. Somar
as três despesas é um modo de inventar
um “déficit” na Previdência. Além
disso, nas últimas décadas foram concedidas aposentadorias a milhões de
brasileiros pobres que jamais contribuíram para a Previdência Social:
idosos com mais de 70 anos, trabalhadores rurais, etc. Essa opção foi
socialmente justa, mas tem um preço alto – que deveria ser custeado
pelo orçamento fiscal, em vez de onerar o fundo previdenciário.
Contabilizar como despesa da Previdência esse enorme custo acrescido é
outro modo de fabricar
um “déficit” no sistema
previdenciário. Retoma
também o “argumento” de que a aposentadoria integral do servidor público
constituiria “privilégio”, já que os trabalhadores privados
aposentam-se com o teto de míseros R$1.513,00. Solução: nivele-se por
baixo, socialize-se a miséria. Em vez de se restituir dignidade
(aposentadoria integral) aos trabalhadores privados, reduza-se à
Indignadade a aposentadoria dos servidores públicos. 5
– A EVASÃO- Nossa
legislação trata os servidores públicos com
mais rigor do
que os trabalhadores privados, sujeitando-os a uma série de limitações:
vedação de participarem de licitações, proibição de acumularem
cargos ( salvo exceções), impedimento de advogarem
privadamente ( carreiras jurídicas), impedimento de serem
titulares de empresas privadas ( agentes fiscais) etc. Para
aposentar-se, também exige-se mais do servidor:
ele contribui com uma alíquota sobre
a totalidade de sua remuneração e não sobre um teto. Mesmo nos
estados em que a contribuição
dos servidores efetivos seria
apenas para fins de pensões e assistência médica, a retenção é sobre
a totalidade da remuneração
. E desde, a Emenda
Constitucional nº 20, só é concedida aposentadoria ao servidor
após ele comprovar tempo de contribuição, sendo vedada a
contagem de tempo fictício; ele deve cumprir, no mínimo, 10 anos de
efetivo exercício no serviço
público e Ter contribuído
por, pelo menos, 5 anos no cargo em que aposentar ;e a idade mínima
para sua aposentadoria foi elevada:
60 anos para homens, 55 para mulheres. Por fim, o arrocho salarial foi
maior no Estado do que na iniciativa
privada. Só
resta aos servidores a garantia de não terem o padrão de vida
rebaixado de forma abrupta e humilhante na velhice . Suprimir a
aposentadoria integral eliminaria toda a possibilidade de quadros
qualificados, em particular os de maior escolaridade,
engressarem/permanecerem no serviço público, acelerando a deterioração
dos serviços prestados a
população e enfraquecendo a defesa do patrimônio público. 6
– A FALSA “SOLUÇÃO” - Unificar
os sistemas previdenciários, fixar teto para as aposentadorias dos
servidores e instituir fundos de complementação: essa proposta”
salvadora” acarretará redução
imediata da receita previdenciária, eis que, obviamente, cada servidor
passará a contribuir apenas sobre o teto, não mais sobre a totalidade
da remuneração. Hoje, a União arrecada anualmente dos servidores cerca
de R$ 4,5 bilhões de contribuição previdenciária,; com essa “solução”
essa receita despencará entre R$ 1,7 e R$ 2,5 bilhões anuais. E
de onde sairão os recursos para os municípios, estados e a própria União
honrarem sua contra partida no financiamento regular dos
fundos? Em
suma: tomar por falido o atual modelo previdenciário e substituí-lo pela
fórmula neoliberal será desastroso para o país, representará
verdadeiro logro
para os servidores e poderá desmoralizar o governo que cair nessa
armadilha.
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